Parti




(...)




Sofro... de ti...
Queria desamar-te

desbeijar-te

E aí então...sim

desconhecer-te
E libertar-me de ti
E arrancar-te de mim

Já faz noite há tanto tempo...
Se soubesses...

(...)










Sonhaste-me




Hoje não me apetece esquecer-te

Apetece-me sonhar-te

Sonha-me também

Hoje apetece-me selar com os meus lábios

O silêncio da tua boca sussurrando-te...




Sonhaste-me?




(...)







Anoitece...




O chão em madeira estala à medida que passo

Os olhos cerrados conduzem-me nesta estranha caminhada

Penitencio, agreste, muda....palpo abismos

Não adormeço neste silêncio

Onde me embalam paredes escurecidas

E dançam molduras nuas




(...)







Tempo perdido







Mais um dia! Que eu queria diferente dos outros

Mas que se assemelha aos demais

(não sei qual a maior dor)

Atordoada... Espalho o meu pensar amor

E as palavras sucumbem quando as cuspo das entranhas

Jazendo palidamente no meu solo... pobre e enfraquecido




(...)













A desilusão...




Esgotaram-se as ilusões...

O que fora ardente

É página perdida

De um amor distante...







(...)







Embriaguês




Vem, noite amada

No crepitar das velas, outra chama serpenteia

Expio o velho dia que se desvanece

Vem

Que as paredes estão mudas

Que os meus lençóis rubros de segredos

Transpiram histórias dos corpos que neles embalo







(...)




Não me respondeste




Não me avisaste... não me voltaste a falar

O Outono acompanhou-me rumo ao Inverno

E as folhas envelhecidas cobriram o rasto das minhas lágrimas

Qualquer esperança de retorno, ficou irremediavelmente perdida




Tenho de partir...agora

Vou de alma despida e ensanguentada

Vou às escuras

Embrenhada nas palavras... e nos poemas em que só te pensei...




(...)




Colapso







Não me atrevo a escrever nada que não seja

Tão-somente o delirar

(Insana febre que me consome)




Estranhos os caminhos do amor

Perdidos os que neles penitenciam...




Amor sublime, supremo, diz-se

Amor, armadilha

Que encarcera a alma, penso




(...)




Penumbra




Pesada a caneta que desafio

Transporto palavras de um poema para outro

Como um terço...uma penitencia

E em nenhum te consigo escrever




Amontoam-se os rascunhos

Amontoam-se as palavras

Alongam-se todas as mágoas




Sinto-me um cepo de tão cega neste vogar







(...)




Enfim o fim







Acendo todas as estrelas e recordo

As vezes em que me perdi em ti

(já só nos sonhos te alinhavo... mas no íntimo ainda te salpico com lírios e jasmim)




É já inconstante o meu lamento

Amortalho-te assim, meu amor

Entre o meu céu, o meu inferno

(a nossa lua)













(...)







anaas